A sorte esqueceu de mim, e a rota que a minha vida está tomando pela primeira vez, foi eu que escolhi.
E tantos momentos eu tentei ser phoenix e renascer das cinzas, mas o gelo que queima não merece voltar à forma.
Ando indigna de um seppuku, a lâmina que me tocar será desvalorizada, e o sangue que escorrer não valerá nada, a minha cabeça rolará e o desrespeito será apenas meu e do eu mesmo.
O meu harakiri não é sinônimo de valentia, o meu harakiri é interminável e não devem tentar sanar minha dor que é preciso que eu sinta.
Pedem todos os dias para que eu não demonstre medo, que não tenha expressões de dor. Uma lágrima não precisa cair para que eu chore, eu choro quando eu sangro e sangro não para lavar alguma honra, sangro para fugir de mim, de tudo.
E através dos haikais que nesta hora me é preciso fazer, tornar-me um haijin quando mal sou poeta, se me enrolo para fazer poesia em prosa que dirá em três versos.
Tento um haikai qualquer, como aqueles que vem de Leminski, mas haikais não nascem do nada, são feitos de brisas, dias, ventos, sentimentos avulsos e que quase nada dizem.
Três versos, versos em que devo ser conciso, quando na verdade nunca tive precisão, sendo um epitáfio ou talvez um testamento, mas na hora que se vai em busca da fuga na tentativa de redenção os sentimentos não precisam estar no papel, a tinta não passa a emoção.
E antes o tão esperado fim chegue, é preciso escrever:
Fundidos estão
Desde ti janeiro
O céu e o mar
E talvez sem alguma lógica exata, vou despedindo-me com meu punhal de saudade, rasgando em cruz as dores, deixando-as expostas mostrando a tal pureza, porque esta vem do amor e através desta se enxerga a beleza das coisas simples, do inexato, do desconexo, do que não é sensato. E juntando tudo parece que não digo nada, mas se é dedicado a ti, eu poderia até ficar calada.
Meu haikai de amor, despedindo-me dos sofrimentos, desprendendo-me do medo da desonra da honra que nunca existiu. Em meu seppuko sentimental, nas palavras nada doce de amor. Me despeço dedicando a ti cada verso, meu amor.
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